sábado, 3 de dezembro de 2011

Contardo Calligaris

Contardo Calligaris (Milão, 1948) é um psicanalista italiano radicado no Brasil. É colunista da Folha de S. Paulo. É casado desde maio de 2011 com a atriz Mônica Torres.
Sua primeira formação foi em Epistemologia Genética, na Suíça, numa faculdade em que Jean Piaget palestrava. Nesse momento, os estudos de Calligaris foram direcionados às ciências sociais. Ao mesmo tempo, fez graduação em Letras que o permitiu ensinar teoria da literatura.
Mais tarde, em Paris, se dedicou ao doutorado em Semiologia, com Roland Barthes.Nesse momento, começou a fazer análise (como paciente), o que, a princípio, não tinha relação com sua formação.A partir dessa experiência passou a interessar-se por Psicanálise.
Tornou-se membro da Escola Freudiana de Paris em 1975. Durante esse período, frequentava as apresentações de casos de pacientes feitas por Jacques Lacan.
Doutor em Psicologia Clínica pela Universida da Provença (França), onde defendeu a tese "A Paixão de Ser Instrumento", estudo sobre a personalidade burocrática. Professor de Antropologia naUniversidade da Califórnia em Berkeley (Estados Unidos), e de Estudos culturais na New School of New York.
O primeiro contato com o Brasil foi em 1986, após a edição de seu primeiro livro de Psicanálise, "Hipótese sobre o fantasma". Devido a isso, o autor fez diversas palestras pelo país, onde acabou se casando, e teve 3 filhos. Em São Paulo, um grupo de analistas propôs que ele ficasse 15 dias a cada 2 meses no país, para se reanalisarem com ele. Calligares achou a proposta interessante e aceitou, chegando a vir morar no Brasil posteriormente.
Além da vida acadêmica, escreve semanalmente,no caderno ‘Ilustrada’, da Folha de S. Paulo, desde 1999, e é autor de diversos livros.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Contardo_Calligaris


sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Eu, você e o amor. Uma relação a três.

Dê a quem você ama: asas para voar, raízes para voltar e motivos para ficar. (Dalai Lama)

Somos seres desejantes, já nos disse Freud. Um dos nossos desejos é o de encontrar aquela pessoa que vai fazer nosso estômago borbulhar, nossa mão suar, as palavras sumirem e nada mais ao redor existir.
Quando isso acontece e na medida em que vamos conhecendo o outro, desejamos que seja para sempre de tão especial, mágico e único. São muitas sensações despertadas por esse encontro.
Porém, existe um grande desafio nas relações a dois – a de não se perder, mais do que a possibilidade de perder o outro. Como manter sua individualidade e sua identidade?
É como se a relação fosse uma terceira pessoa fruto de duas outras que possuem suas características, qualidades, defeitos, sonhos e expectativas e que serão, igualmente, responsáveis pelo desenvolvimento e construção dessa terceira.
A outra questão é: como manter vivo esse sentimento despertado naquele primeiro encontro de olhares?
Seguindo a ideia de que o relacionamento é uma terceira pessoa, uma analogia para entendermos que é preciso ter certos cuidados e atenção é pensar nas fases de desenvolvimento de um indivíduo/pessoa.
Quando bebê, ele precisa de todo cuidado. É totalmente dependente dos pais. Precisa ser alimentado, principalmente de muito afeto. A libido (energia) dos pais está focada e concentrada nele. Assim, acontece no início das relações. Estamos com a nossa libido totalmente voltada para o outro. Com o passar do tempo essa criança precisa entender que os pais têm outras ocupações, interesses e preocupações. Os pais não vivem em função e para ela. Existem momentos de lazer, trabalho, amigos. Isso não quer dizer que os pais não amem essa criança, mas é necessário que ela entenda os limites da individualidade. Abrir mão da sua vida não significa amar.
Com o entendimento das outras necessidades dos pais a criança vai amadurecendo e descobrindo novas formas de demonstrações de afeto. Além do quê, vai ficando mais segura e confiante, afinal amar não significa estar presente fisicamente em cada passo do outro, toda hora, todo instante, mas se fazer presente mesmo ausente. É querer estar junto, não por insegurança, possessividade ou até mesmo medo de perder, mas por querer genuinamente e por prazer em estar junto.
E, assim como no desenvolvimento do indivíduo, o relacionamento também passa por algumas crises, ou seja, passa pela adolescência que é uma fase onde estamos sujeitos a revoltas, rebeldias, confrontos e atitudes impulsivas. Passa pela crise dos 30, 40 e assim por diante. São momentos onde é necessário muito cuidado. E se nas fases anteriores o respeito, a compreensão, o carinho foi sedimentado, essa fase por mais turbulenta que seja vai passar com os dois de mãos dadas, lado a lado.
A maturidade chega, escolhas são feitas, novas descobertas revelam sensações que você nunca imaginou sentir com a mesma pessoa. O tempo passa e quando você olhar para essa terceira pessoa – o relacionamento – saberá que ali tem um pouco de você e do outro, foi construído por vocês. Ele é o reflexo de cada um.
Cuide do seu relacionamento como se fosse um filho. Alimente, escute, brinque, discorde, transe, ame. Não é sufocando, nem impondo e prendendo que você terá a garantia de ter a pessoa com você. Relacionamentos são construídos e solidificados com base em valores, não em regras impostas.
Se o seu relacionamento está fundamentado em valores como respeito, cuidado com o próximo, amor e admiração, ele vai refletir e se comportar como deve ser – leve, livre e entregue a você.

Amar é deixar ser. (Clarice Lispector)

Filosofia e poesia

            A filosofia surgiu, por um lado, em função dos caminhos já antes percorrido pelos poetas, por outro ela nasce propondo um modelo de compreensão do real alternativo ao mito/poético. Enquanto a mito/poética tem seu pensamento fundamentado na arte da invenção, a filosofia encontrará na interpretação seu modo de pensar.
            A primeira diferença a partir da qual todas as demais se estabelecem, seria acerca da ideia de princípio (arché). O fator maior que aproxima a filosofia da mito/poética consiste na decisão pelo objeto – o cosmo e depois, por extensão, a phýsis. As duas são modelos de conhecimento da realidade, possuem o mesmo objeto, mas a explicam de forma diferente. Os primeiros filosófos removem a ideia de princípio do âmbito do divino, deslocando-a para a própria realidade dada. A natureza não precisa mais ser explicada pelo que a ultrapassa em poder e sensibilidade, ela agora pode ser explicada a partir de si mesma, e se torna, assim, suficiente para o conhecimento, libertando-o do jugo dos deuses.
            Não se pode negar o parentesco inicial da filosofia com a poesia. Surgida num ambiente banhado pelos poemas homéricos e onde as demais obras de tantos outros poetas formavam, praticamente, todo o conhecimento da sociedade grega antiga, a filosofia não poderia ser indiferente, mesmo que seja para marcar uma oposição a ele – como a sua forma de ver a realidade. Segundo Havelock, os poetas e as poesias eram tidos como “as principais autoridades citadas como responsáveis por um certo tipo de moralidade questionável como aponta o desafio de Socrátes”.
            No texto A Crítica de Platão ao discurso poético no livro X da República, Adriana Natrielli cita alguns pontos de vista de diferentes autores a interpretação do livro X. Cross e Woozley divergem um pouco de Havelock, “em relação ao fato de que a questão política seria apenas um pretexto para a real intenção de Platão em criticar toda a tradição educativa grega veiculada através da poesia. Pois, segundo os autores, se a crítica da poesia só faz sentido em termos de educação, há também que se considerar a função social da arte dentro da esfera coletiva da cidade ideal que está sendo proposta na República”.
A filosofia, no entanto, tem como papel a investigação, o questionamento, a interpretação. No texto Discurso, conceitos e a formação da lógica, fica claro a diferença do método mítico poético para o metódo filosófico quando vemos que o objeto principal de investigação de Sócrates é a conceituação das palavras. Sócrates afirma que “se não soubermos os significados das palavras não conseguiremos entendê-las, não conseguiremos formular uma opinião sobre, pois para criarmos um conceito temos que ter uma prévia ideia do que é o objeto que queremos criar um conceito. Seríamos remetidos imediatamente a um mundo real, as próprias coisas, ou às próprias ideias, por uma linguagem que se faz transparente”.