sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Um olhar sobre a saúde emocional na empresa



As relações e a dinâmica de funcionamento das pessoas com e nas empresas estão sendo radiografadas por novos estudos de psicossociologia, psicologia organizacional e do trabalho, psiquiatria social entre outros. São temas de estudos que as escolas de management não enfocam ou não pretendem enfocar.
Está cada vez mais séria a questão da saúde emocional das pessoas nas empresas. As estatísticas revelam um quadro preocupante quando apontam a saúde mental como o segundo maior motivo de afastamento do trabalho aqui no Brasil. Na Europa a preocupação dos estudiosos está se concentrando cada vez mais no suicídio no trabalho. São indicadores alarmantes que não podem ser ignorados. O tema obviamente incomoda a empresa, e sua discussão e enfrentamento vem sendo algumas vezes adiados ou delegados exclusivamente à área médica das empresas.
Em última instância são pessoas sofrendo no trabalho, portanto tema de interesse de todos que trabalham no desenvolvimento e no bem estar delas no seu dia-a-dia. Não é uma questão de encontrar culpados ou causas impossíveis de serem trabalhadas. Por outro lado, sabemos que o sofrimento emocional não tem sido denunciado pelos que são acometidos por ele exatamente por medo do preconceito e ainda, pela pessoa não saber qual será a reação da empresa, do seu gestor imediato ou da equipe na qual trabalha. Poucos estão dispostos a dividir seu sofrimento com algum profissional habilitado temendo represálias, quer dizer, além de sofrer as pessoas sofrem sozinhas e caladas.
É claro que muitas empresas têm feito esforços e apresentado algumas alternativas de solução e encaminhamento para o problema. Programas e campanhas de saúde, de qualidade de vida no trabalho, flexibilidade de horário e folgas são alguns exemplos específicos.
No entanto é possível se fazer muito mais, desde que se recorra aos tais estudos e as ferramentas e ações que propõem para enfrentar a questão.
O mobbing, por exemplo, (o termo significa a complexa prática vexatória ou persecutória ou de violência psicológica, posta em prática deliberada e repetidamente por um empregador ou por superiores hierárquicos diretos, por colegas de trabalho de nível igual ou até por subalternos, em confronto com um profissional, com o objetivo de lhe provocar um estado de profundo mal-estar, isolamento e terror psicológico, possível de causar um dano notável no seu equilíbrio psico-físico) ficou conhecido também como assédio moral, virou caso de justiça, de passivo trabalhista. Na verdade poderia ser encarado como uma questão de clima, de ambiente de trabalho, de desenvolvimento de gestores ou de team building que são as velhas e conhecidas ferramentas de intervenção no espaço organizacional. Ou, se recorrermos às novas ferramentas, as clínicas do trabalho.
Outro exemplo o coping (estratégias de coping são esforços cognitivos e comportamentais para lidar com situações de dano, de ameaça ou de desafio quando não está disponível uma rotina ou uma resposta automática) estudado pelas escolas acima citadas, indica a reação de pessoas saudáveis às pressões cotidianas e que poderiam ser desenvolvidas e fortalecidas com intervenções de caráter preventivo, sem recorrer ao conceito pouco psicológico e, portanto, de pouca ajuda, da "resiliência".
Outra contribuição destas escolas teóricas e de investigação são os estudos de Fatores de Risco Psicossocial no ambiente de trabalho (características das condições de trabalho e, sobretudo, da sua organização que afetam a saúde das pessoas através de mecanismos psicológicos e fisiológicos a que também podemos chamar de fatores de stress) que podem ser utilizados como ferramenta de prospecção de problemas e consequentemente intervenções de caráter preventivo. Os Fatores de Risco Psicossocial, como o próprio nome indica, enfocam aspectos específicos da organização e do ambiente de trabalho tais como: carga de trabalho excessiva, exigência contraditórias e falta de clareza na definição das funções e papéis, falta de participação na tomada de decisões que afetam o empregado, falta de controle sobre a forma como executa o trabalho, má gestão de mudanças organizacionais, insegurança laboral, comunicação ineficaz, falta de apoio da parte de chefias e colegas, assédio psicológico ou sexual, violência de terceiros etc.
Estes são apenas alguns exemplos que indicam um "novo" olhar para o sofrimento humano nas empresas e sugerem uma mudança na forma de encará-lo. A complexidade da vida organizacional contemporânea quase nos impõe uma nova forma de entendê-la e abordá-la.
Mais do que isso, já sabemos que a saúde emocional nas empresas tem etiologia multi causal e se manifesta de diversas formas em cada indivíduo, grupo ou empresa. Não será possível enfrentar esta realidade sem uma visão multidisciplinar que ajude a dar abrangência e peso ao tratamento e a prevenção das doenças emocionais no trabalho.
Diante deste tema sério e complexo parece não haver outra forma de tratá-lo senão com coragem e transparência. Até porque, sabe-se que sua manifestação no ambiente organizacional deve piorar se nada for feito, pois as pressões e as exigências feitas às pessoas no trabalho não devem diminuir nos próximos anos.

Fonte:http://www.rh.com.br/Portal/Qualidade_de_Vida/Artigo/9742/um-olhar-sobre-a-saude-emocional-na-empresa.html#

10 competências que todo profissional vai precisar até 2020

Pensamento Crítico, Inteligência Emocional, Gestão de Pessoas e Flexibilidade Cognitiva estão entre as 10 competências que todo profissional precisará desenvolver até 2020

São Paulo – Até 2020, 35% das habilidades mais demandadas para a maioria das ocupações deve mudar. A afirmação parte de relatório produzido pelo Fórum Econômico Mundial publicado nesta semana.
As mudanças são justificadas no contexto da chamada Quarta Revolução Industrial: era da robótica avançada, automação no transporte, inteligência artificial e aprendizagem automática.
Sim, nos próximos quatro anos estes e fatores sócio econômicos, geopolíticos e demográficos terão impacto direto no mundo do trabalho: seja no surgimento ou desaparecimento de profissões, seja no hall de habilidades demandadas pelo mercado. Muitas delas estão ligadas a ações ainda impossíveis de serem tomadas por máquinas. O foco do relatório está nos aspectos que ainda nos fazem superar os robôs.
Profissionais dos setores de mídia e entretenimento, consumo, saúde e energia, segundo o relatório, têm sido mais afetados desde já pelas novas exigências de suas atividades. Por outro lado, áreas de finanças, infraestrutura e mobilidade deverão ter transformações mais profundas nos próximos anos.
Como afirmou a professora Mireia Heras da espanhola IESE Business School, a única certeza é que tudo vai mudar por isso a flexibilidade e a adaptabilidade ganham tanta importância no contexto profissional.
Veja quais são as competências acessando o link abaixo:

http://exame.abril.com.br/carreira/noticias/10-competencias-que-todo-professional-vai-precisar-ate-2020#1

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

O trabalho pode prejudicar sua saúde de maneiras perigosas

Estresse: derrames cerebrais são responsáveis por uma em cada 20 mortes anuais nos Estados Unidos

Por Anna Almendrala, de Brasil Post
São Paulo - Alguma vez você disse que seu trabalho está te “matando”? A hipérbole talvez não seja tão exagerada quanto parece.
As pessoas com empregos que geram alto grau de estresse correm risco 22% maior de sofrer um acidente vascular cerebral, o popular AVC, comparadas àquelas cujo trabalho gera pouco estresse.
O contraste é ainda mais marcante no caso das mulheres: o risco de um derrame é 33% mais alto para aquelas cujo trabalho gera alto nível de estresse.
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Pesquisadores examinaram seis estudos de longo prazo conduzidos com um total de 138.782 participantes e constataram que, ao todo, o maior risco intensificado é o de AVC isquêmico.
Este é um tipo de AVC que abrange 87% dos casos e é decorrente de uma obstrução arterial causada por um depósito gorduroso.
Os derrames cerebrais são responsáveis por uma em cada 20 mortes anuais nos Estados Unidos. Também são a maior causa de invalidez grave de longo prazo no país, gerando custos médicos anuais estimados em US$ 34 bilhões.
O estudo não explica a possível ligação entre o risco de AVC e os empregos que geram alto grau de estresse, mas seu autor principal, Dingli Xu, da Southern Medical University de Guangzhou (China), aventou um palpite.
“É possível que empregos que geram muito estresse desencadeiem comportamentos poucos saudáveis, como maus hábitos alimentares, tabagismo e falta de exercício físico”, disse o médico em comunicado.
Para classificar os participantes nas categorias de empregos de alto ou baixo nível de estresse, os pesquisadores avaliaram suas ocupações, usando dois critérios.
O primeiro foi a demanda – ou seja, as pressões psicológicas do trabalho, como pressões de tempo, carga mental e responsabilidades de coordenação. O segundo foi o controle, ou seja, o controle que o funcionário pode ou não ter sobre as decisões ligadas ao trabalho.
Em seguida, classificaram o trabalho dos participantes em quatro grupos: baixa demanda e baixo controle; baixa demanda e alto controle, alta demanda e baixo controle e, por último, alta demanda e alto controle.
Os empregos foram classificados como sendo de “baixo nível de estresse” quando o trabalho era de baixa demanda e alto controle – por exemplo, empregos nas áreas de ciência ou arquitetura.
As pessoas com empregos de “alto nível de estresse” eram aquelas cujo trabalho era de alta demanda e baixo controle. Exemplo: trabalhos como o de garçonete ou auxiliar de enfermagem, no setor de serviços.

As pessoas que se enquadraram nas outras categorias de trabalho não apresentavam risco aumentado de derrame cerebral.
É crucial que indivíduos cujas ocupações são de alto estresse prestem atenção a problemas em seu estilo de vida.
Os participantes que faziam parte de outras categorias de trabalho (empregos “ativos” como o de médico ou professor, por exemplo, que reúnem alta demanda e alto controle) não apresentaram risco aumentado de AVC.
Em editorial que acompanha o estudo de Xu, a Dra. Jennifer Majersik, da University of Utah Health Care, escreveu que pesquisas científicas dos últimos 20 anos já apontaram para uma ligação entre doenças cardíacas e trabalhos que geram alto nível de estresse.
Majersik elogiou a meta-análise de Xu, dizendo que foi bem conduzida, mas ressalvou que ela não levou em conta os fatores preexistentes de risco de AVC nem mediu os níveis de inflamação e disfunção metabólica, variáveis que podem explicar o risco mais alto de AVC entre determinados grupos de trabalhadores.
Mas Majersik declarou que a análise de Xu lhe deu confiança suficiente para dizer a seus pacientes que seu AVC pode ter sido causado por estresse no trabalho e discutir com eles maneiras de reduzir o estresse sem abandonar seus empregos.
Xu escreve que uma maneira de reduzir o risco de AVC pode ser aumentar o acesso a terapia comportamental cognitiva e terapia de relaxamento, além de ajudar os profissionais a parar de fumar, seguir um regime alimentar saudável e praticar exercícios regularmente.

“Pelo fato de esta meta-análise ter revelado que a exposição a trabalhos de alto risco está associada a um risco intensificado de AVC, especialmente entre as mulheres, é crucial que indivíduos cujas ocupações sejam de alto estresse prestem atenção a problemas em seu estilo de vida”, conclui Xu em seu estudo.
Cada vez mais locais de trabalho (pense no Vale do Silício) estão investindo em terapias de relaxamento e benefícios de estilo de vida pensados para tranquilizar os profissionais e ajudar a deixá-los mais saudáveis.
Mas a maioria dessas intervenções se concentra em setores onde o nível de estresse é relativamente baixo, comparado ao dos profissionais do setor de serviços.
Os trabalhadores no setor de serviços muitas vezes são mal pagos, não têm controle sobre seu ambiente de trabalho e têm poucas oportunidades de promoção.
O setor de restaurantes, por exemplo, emprega 10 milhões de pessoas nos EUA e vem crescendo. Mas a maioria dos empregos no setor é mal paga, com muito poucos benefícios.
As garçonetes recebem em média US$ 10,15 por hora (cerca de R$ 40), valor que já inclui as gorjetas, e, segundo o Instituto de Política Econômica, um em cada seis trabalhadores em restaurantes vive abaixo da linha da pobreza.
Auxiliares de enfermagem – outra categoria citada especificamente no estudo de Xu – ganharam cerca de US$ 11,73 (cerca de R$ 46) por hora em 2012, segundo o Burô de Estatísticas do Trabalho.
Trata-se de outra categoria projetada para crescer rapidamente devido ao crescimento da população idosa no país e da necessidade crescente de clínicas residenciais de longo prazo para idosos.
Não importa qual seja seu trabalho, você pode reduzir o risco de sofrer um AVC se parar de fumar, seguir uma alimentação equilibrada e praticar exercícios regularmente.
Se seu trabalho é de alta demanda e baixo controle, a necessidade de seguir hábitos saudáveis é ainda mais urgente e pode salvar vidas, segundo estudos como o de Xu.
Esperemos que essa mensagem chegue aos ouvidos de todos os empregadores, e não apenas das empresas de tecnologia de mentalidade mais moderna.
Fonte: http://exame.abril.com.br/estilo-de-vida/noticias/o-trabalho-pode-prejudicar-sua-saude-de-maneiras-perigosas